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segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Entre Páginas - Scarlet, de Marissa Meyer [Opinião]

Autor: Marissa Meyer

Editor: Puffin Books

Edição: Fevereiro de 2013

Colecção/Série: The Lunar Chronicles

Páginas: 452

Formato: Paperback






Sinopse: Cinder elabora um plano para fugir da prisão e, se for bem-sucedida, irá tornar-se a fugitiva mais procurada da Comunidade. Do outro lado do mundo, a avó de Scarlet Benoit desapareceu. Scarlet entra em pânico e, na sua busca, acaba por descobrir que existem muitas coisas sobre a avó que desconhece, assim como ignorava o grave perigo que correu toda a vida. Quando Scarlet encontra Wolf, um lutador de rua que poderá ter informações sobre o paradeiro da avó, sente-se relutante em confiar nele, mas ao mesmo tempo sente-se inexplicavelmente atraída. Scarlet e Wolf tentam desvendar o mistério do desaparecimento da avó, mas deparam-se com outro quando encontram Cinder. Além de todos os problemas em que estão mergulhados, ainda terão de antecipar os passos da maléfica rainha Levana, que fará qualquer coisa para que o belo príncipe Kai se torne seu marido, seu rei, seu prisioneiro.

Sobre a autora: Marissa Meyer vive em Tacoma, Washington, na companhia do marido e de dois gatos. É fã de coisas bizarras, como Sailor Moon ou Firefly, e organiza a biblioteca por cores. Desde criança que é apaixonada por contos de fadas, um mundo que não tenciona abandonar. Pode ser que seja cyborg, ou talvez não. Cinder, o primeiro livro da série The Lunar Chronicles (Crónicas Lunares), foi também o seu primeiro romance. Em Portugal as obras da autora encontram-se a ser publicada pela Editoral Planeta e o terceiro volume da série, Cress, tem data de publicação prevista para Novembro.

Opinião: Sendo Scarlet o segundo livro numa série, torna-se difícil tecer comentários sem que sejam dados spoilers para quem ainda não leu o volume anterior. No entanto, vou ao máximo tentar fazê-lo, deixando-vos apenas aqui uma pequena sinopse sobre Cinder, de modo a que se possam situar de algum modo.

Quanto a este livro em específico, a acção começa a desenrolar-se exactamente a partir do ponto em que foi pausada no título anterior, ainda que inicie com a introdução de ponto de vista da nova protagonista, Scarlet Bennoit, e não com o ponto de vista da já familiar Linh Cinder. Ainda assim, tal é entretanto rectificado, uma vez que ambas acabam por dividir a maior parte do foco de narração durante o restante livro.

É a partir dos diferentes pontos de vista de ambas, aliás, que ficamos a conhecer as duas grandes novas adições ao elenco: Ze'ev Kesley, mais conhecido por Wolf, e Carswell Thorne, que gostaria que mais gente o conhecesse por Captain.

Ambos estes personagens trazem consigo duas dinâmicas bastante distintas ao enredo, uma vez que Wolf vai ocupar o papel de interesse amoroso para Scarlet, enquanto que Thorne ocupa o lugar de sidekick para Cinder, servindo ainda como balanço cómico para as cenas mais intensas da narrativa.

No entanto, se as personagens já conhecidas do leitor, como é o caso do Kai ou até mesmo da própria Cinder, continuaram a cimentar uma simpatia e empatia comigo, o mesmo não posso infelizmente dizer que tenha sido totalmente bem conseguido em relação aos novas elementos: Scarlet não ressonou comigo da maneira que inicialmente pensei que fosse ressonar, uma vez que o seu afamado estatuto de badass não me encheu as medidas; Wolf, que sei por experiência própria ser um personagem extremamente rico e complexo, uma vez que li The Queen's Army (novella que precede este livro e nos é narrada do ponto de vista de Wolf), não me pareceu suficientemente bem explorado neste livro, fazendo com que o meu entusiasmo quanto ao personagem esmorecesse um pouco; já em relação a Thorne, por muito boa que tenha sido a minha primeira reacção a ele tenha sido, ainda muito pouco foi explorado enquanto personagem individual e, como tal, não deixa de ser para já pouco mais do que uma nota superficial.

Não querem estas críticas dizer que não gostei do livro, ainda assim. Mesmo não me tendo as novas personagens arrebatado por completo, há sempre a questão do enredo em que estão integradas a ter também em conta. E se não se pode dizer que a acção tenha avançado muito no que toca ao arco geral da série em si (à excepção de um pequeno segredo sem grande consequência e duas decisões tomadas mesmo na recta final do livro que poderão, essas sim, trazer grandes consequências futuramente, pouco mais de relevo se pode afirmar ter acontecido), há que que dar os parabéns à autora por conseguir manter uma narrativa sólida tendo por base a mesmo premissa já explorada no livro anterior. Penso que, neste momento, a maior e melhor cartada que Marissa Meyer pode continuar a jogar se prende com o universo cativante e diversificado que criou, o que lhe dá o apoio de uma larga esfera de acção para explorar e é algo que penso que a autora continua a usar para sua vantagem, tendo deste modo mantido o meu interesse no desenrolar da história.

Assim sendo, apesar das pequenas falhas que lhe encontro, Scarlet tem uma estrutura coesa, uma leitura simples mas cativante, e foi uma sequela que, na minha opinião, mesmo não tendo superado o seu predecessor conseguiu manter relativamente o mesmo nível e criar uma boa ponte para o volume que se segue.

Avaliação: 4 estrelas

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Entre Páginas: The Raven Boys, de Maggie Stiefvater [Opinião]

Autor: Maggie Stiefvater

Editor: Scholastic Press


Edição: Setembro de 2012


Colecção/Série: The Raven Cycle


Páginas: 454


Formato: Paperback







Sinopse: Blue has spent the majority of her sixteen years being told that if she kisses her true love, he will die. When Blue meets Gansey’s spirit on the corpse road she knows there is only one reason why – either he is her true love or she has killed him.
Determined to find out the truth, Blue becomes involved with the Raven Boys, four boys from the local private school (lead by Gansey) who are on a quest to discover Glendower – a lost ancient Welsh King who is buried somewhere along the Virginia ley line. Whoever finds him will be granted a supernatural favour.
Never before has Blue felt such magic around her. But is Gansey her true love? She can’t imagine a time she would feel like that, and she is adamant not to be the reason for his death. Where will fate lead them?

Sobre a autora: Maggie Stiefvater é uma jovem escritora norte-americana nascida em 1981, que escreve ficção fantástica juvenil. Todas as suas obras se têm tornado grandes êxitos, batendo recordes de permanência nas tabelas de vendas. Entre os vários títulos que já publicou destacam-se The Scorpio Races e The Raven Boys. A trilogia Shiver, que conta já com um milhão e setecentos mil exemplares impressos só nos EUA, tem recebido inúmeras nomeações e prémios, e encontra-se traduzida em 36 idiomas. Em Portugal foi publicada pela Editorial Presença.

Opinião: Antes de mais, devo dizer que este livro foi uma compra de impulso para aproveitar uma promoção da Wook, mas ainda bem que o comprei, pois fiquei completamente rendida à história da Blue e dos seus Raven Boys.

Blue é uma rapariga de dezasseis anos oriunda de uma família muito peculiar de videntes e adivinhos. Sobre ela há uma profecia que prevê que se ela beijar o seu verdadeiro amor este acabará por morrer, embora tal nunca tenha sido uma preocupação para ela até à noite em que ela própria vê o espírito de um rapaz que está destinado a morrer durante aquele ano.
Por outro lado, temos Gansey, Adam, Ronan e Noah, quatro estudantes da academia de Algionby, também conhecidos por Raven Boys, que se encontram numa demanda para encontrar o túmulo de um rei galês à muito perdido.

Todos eles, devo dizer, demonstraram ser personagens com quem facilmente simpatizamos e nos conseguimos relacionar. Adorei a Blue com a sua originalidade, o Ronan com o seu humor instável, o Noah com a sua calma e a maior surpresa de todo o livro. E , claro, Gansey, o líder do grupo e a minha personagem preferida. O único elemento sobre o qual ainda permanecem dúvidas é Adam, pois se houve alturas em que gostei dele também houve outras em que não o suportei.

Quanto ao enredo, devo confessar que inicialmente me custou um pouco entrar na história, talvez por a cada página que lia esperar o nascimento de um romance quase instantâneo entre a Blue e o Gansey, uma vez que é algo muito comum é neste tipo de livro. No entanto, tal nunca chegou a acontecer. Aliás, neste livro o romance tem um papel secundário, tendo sido dada mais importância à busca pelo túmulo de Gwendower e às relações entre os rapazes, e entre eles e Blue. Nesse aspecto, é um livro que me lembrou bastante as séries "Uma Aventura" e "Os Cinco", uma vez que, e ao contrário do normal nos romances YA paranormais mais actuais, eles não tem inimigos a combater, mas sim uma missão a cumprir.

No geral, um livro que recomendo vivamente!

Avaliação: 4.5 estrelas

sábado, 19 de abril de 2014

Entre Páginas: Sweet Evil, de Wendy Higgins [Opinião]

Autor: Wendy Higgins

Editor: Harper Teen

Edição: Maio de 2012

Colecção: The Sweet Trilogy

Formato: Ebook












Sinopse: 
What if there were teens whose lives literally depended on being bad influences?
This is the reality for sons and daughters of fallen angels.
Tenderhearted Southern girl Anna Whitt was born with the sixth sense to see and feel emotions of other people. She's aware of a struggle within herself, an inexplicable pull toward danger, but it isn't until she turns sixteen and meets the alluring Kaidan Rowe that she discovers her terrifying heritage and her willpower is put to the test. He's the boy your daddy warned you about. If only someone had warned Anna.
Forced to face her destiny, will Anna embrace her halo or her horns?


Opinião:
Wendy Higgins é a autora da trilogia Sweet, da qual este Sweet Evil é o primeiro livro. Nascida no Alasca, filha de um militar, viveu em cinco bases militares diferentes espalhadas pelos Estados Unidos, acabando por assentar na zona de Washington. Formou-se em Escrita Criativa na George Mason University e mais tarde fez mestrado na Radford University. Tornou-se professora de Inglês do ensino secundário e era membro activo da VATE (Association of Teachers of English). Actualmente vive na Virgina do Norte com o marido e os seus dois filhos.

Sweet Evil foi uma daquelas recomendações do Goodreads que, depois de ler a sinopse, parecia ter todos os ingredientes para eu adorar... para além de ter uma capa linda!

Neste livro conhecemos Anna, uma adolescente de quase 16 anos que sempre foi diferente dos seus pares, não apenas pelo facto de ver auras e conseguir sentir as emoções das outras pessoas, mas também por possuir uma certa escuridão dentro de si que a puxa para comportamentos de risco que só com muita força de vontade consegue evitar.

Poucos dias antes do seu décimo sexto aniversário. conhece Kaidan Rowe, o baterista de uma banda e tipico bad boy, por quem se sente imediatamente atraída, e é depois deste encontro inicial que Anna vai finalmente descobrir a verdade sobre os seus pais e o porquê se ser diferente.

A história em si não é má, embora tenha achado que podia ter sido mais bem explorada- Existe uma certa confusão com um colega da protagonista e a sua resolução pareceu-me um pouco forçada, o que em vez de me fazer gostar mais da Anna teve o efeito oposto. A escrita em si também não é má, estando ao nível daquilo que tenho lido dentro do género.

O meu grande problema com este livro? Porque é que não gostei tanto dele quanto imaginava? As personagens, principalmente a Anna. Depois de ter lido séries como The Mortal Instruments, The Infernal Devices, Vampire Academy e Covenant, que têm protagonistas femininas fortes, Anna é, à falta de melhor palavra, um pãozinho sem sal ou uma Mary Sue. É demasiado boazinha e perfeita e muito frágil a nível emocional. Em determinada parte do livro parecia que estava a ler novamente o New Moon, com a diferença de que Bella tinha terminado uma relação de algum tempo e tinha uma certa desculpa para a depressão e neste caso eles nem uma relação tinham.

A mãe adoptiva da Anna parece ter dupla personalidade: tão depressa lhe estava a dizer que tinha de se afastar do Kaidan, como umas páginas depois lhe está a dar autorização para atravessar o país sozinha com ele. Vá-se lá perceber.

Às páginas tantas surge um grupo de novas personagens, entre elas Kopano, que nos é dado a entender que se sente atraído por Anna. E estão reunidos os ingredientes para (mais) um triângulo amoroso... sim, porque existiam poucos nos livros Young Adult. Viva a originalidade!

Para mim. o que acabou por salvar este livro foi o Kaidan que, apesar dos defeitos e de também ter tido momentos que me irritaram, de entre todas as personagens foi a melhor. No que toca ao enredo, a melhor parte é mesmo a tal viagem que ele a Anna fizeram.

No geral. um livro merecedor de 2,5 estrelas.

domingo, 20 de outubro de 2013

Entre Páginas: Shadowfell, de Juliet Marillier [Opinião]


Autor: Juliet Mariller

Editor: Planeta

Edição: Novembro de 2012

Colecção/Série: Shadowfell

Páginas: 381

Formato: Capa mole

Título original: Shadowfell



Sinopse:
Na terra de Alban, onde o jogo tirânico de Keldec reduziu o mundo a cinzas e terror, a esperança tem um nome que só os mais corajosos se atrevem a murmurar: Shadowfell. Diz a lenda que aí se refugia uma força rebelde que lutará para libertar o povo das trevas e da opressão.
E é para lá que se dirige Neryn, uma jovem de dezasseis anos que detém um perigoso Dom Iluminado: o dom de comunicar com os Boa Gente e com as criaturas que vivem nas profundezas do Outro Mundo. Seá Neryn forçada a fazer esta perigosa viagem sozinha? Ou deverá antes confiar na ajuda de um misterioso desconhecido cujos verdadeiros desígnios permanecem por esclarecer?
Perseguida por um império decidido a esmagá-la e sem saber em quem pode confiar, Neryn acabará por descobrir que a sua viagem é um teste e a chave para a salvação do reino de Alban pode estar nas suas próprias mãos.

Opinião (Patrícia):
De há vários anos a esta parte que a neozelandesa Juliet Marillier se tornou um nome sonante no que toca à fantasia histórica. Muitas vezes comparada a Marion Zimmer Bradley, Marillier tem um vasto currículo que se estende desde as salas de aula, nas quais ensinava música, aos palcos das óperas nas quais cantou.

Com dezassete títulos publicados até hoje, foi em 1999 que o seu talento como escritora foi dado a conhecer ao mundo através de A Filha da Floresta, o primeiro volume da sua aclamada série Sevenwaters. Desde essa altura, não parou um único dia, nem mesmo quando em 2009  foi diagnosticada com cancro da mama. De todas as suas obras, apenas uma não se encontra traduzida na nossa língua: Prickle Moon, uma colectânea de contos sobre as mais variadas mitologias e contos de fadas.

Ainda assim, Shadowfell, o primeiro livro da mais recente série da autora, pode ser considerado o seu novo grande sucesso. Depois de uma mais difícil leitura da saga das Ilhas Brilhantes, foi com um pouco de receio que iniciei este novo livro. No entanto, este acabou por se revelar o oposto de O Filho de Thor e A Máscara da Raposa e uma óptima surpresa.

Neste livro ficamos a conhecer Neryn, uma jovem com um dom especial , num mundo em que pessoas como ela são perseguidas incessantemente. Sem outra família que não o seu pai, Neryn vê-se, de um momento para o outro, entregue a um estranho no qual não sabe se pode ou não confiar. Flint, esse mesmo estranho, é desde o início um enigma que lentamente vai sendo desvendado; é forte e, por vezes, até um pouco bruto, mas consegue ser também meigo e protector. E é com ele que Neryn inicia uma perigosa viagem por terras de Alban; uma viagem rumo ao seu destino, repleta de surpresas, alguns perigos e muita magia, bem ao género de Marillier.

Uma leitura fácil e agradável, em muito me recordou a série Sevenwaters, de longe a minha preferida desta autora. Várias foram as vezes em que quase esperei ver o nome Sorcha em vez de Neryn. Um livro que nos encanta do princípio ao fim, portanto, tal como Juliet Mariller já nos tem vindo a habituar. Recomendo, sem dúvida, e aguardo com muita curiosidade a publicação do segundo livro da série.

domingo, 13 de outubro de 2013

Entre Páginas: A Batalha do Labirinto, de Rick Riordan [Opinião]


Autor: Rick Riordan

Editor: Casa das Letras

Edição: Maio de 2012

Colecção: Percy Jackson

Páginas: 376

Formato: Capa mole

Título original: The Battle of the Labyrinth



Sinopse:
Percy está prestes a começar o ano lectivo numa nova escola. Ele já não esperava aque essa experiência fosse muito agradável, mas quando teve que enfrentar uma esquadrão de líderes de claque tão esfomeadas quanto demoníacas, imediatamente se apercebeu de que tudo podia ficar muito pior.
Neste quarto volume da série Percy Jackson, o tempo está a esgotar-se a a batalha entre os Deuses do Olimpo e Cronos, o Senhor dos Titãs, está cada vez mais próxima. Mesmo o acampamento dos meio-sangues, o porto seguro dos heróis, torna-se vulnerável à medida que os exércitos de Cronos se preparam para atacar as suas fronteiras, até então impenetráveis.
Para detê-los, Percy e os seus amigos semideuses partirão numa jornada pelo Labirinto - um interminável universo subterrâneo que, a cada curva, revela as mais temíveis surpresas.

Opinião:
Antigo professor de Inglês e Estudos Sociais, Richard Russel Riordan Jr, mais conhecido como Rick Riordan, é hoje um bem sucedido escritor e autor de multi-premiados livros de literatura juvenil. Nascido e criado em San Antonio, no Texas, foi com uma série de mistério para adultos que Riordan se estreou no mundo editorial. A partir dessa altura, não tem parado por um só momento e todos os anos publica pelo menos mais uma obra.

No entanto, foi em 2005 que Rick Riordan viria a publicar o seu mais famoso título até à data: The Lightning Thief (Percy Jackson e os Ladrões do Olimpo), o primeiro volume numa série de cinco. Inspirada pelos dois filhos do escritor, esta série segue as aventuras e desventuras de Percy Jackson, um pre-adolescente de 12 anos, que descobre ser filho de um deus grego, mais propriamente Poseidon. Há medida que os livros avançam, também assim avançam os anos, e Percy vai crescendo e conquistando o seu lugar neste universo mitológico.

Com uma trilogia baseada em mitologia egípicia (The Kane Chronicles) e com uma outra série sobre mitologia nórdica a ser desenvolvida, foi sem dúvida na mitologia grega que Riodan encontram o seu Santo Graal. Depois de Percy Jackson and the Olympians, chegou às livrarias o seu spin-off. The Heroes of Olympus, outra série de cinco livros cujo enredo nos volta a trazer Percy e companhia, desta vez a explorarem as tangentes entre os deuses gregos e romanos.

No entanto, não podemos esquecer as origens, e para isso voltemos a nossa atenção para A Batalha do Labirinto. Neste volume encontramos Percy novamente a braços com uma situação caótica. Primeiro descobriu que era um semideus e que Zeus o queria matar por estar convencido que Percy lhe tinha roubado o seu poderoso raio; no ano seguinte, foi transformado por Circe num porquinho-da-índia e quase morreu às mãos de um Ciclopes em pleno Mar dos Mortos. Ou, para nós simples mortais, aquilo que conhecemos como o Triângulo das Bermudas. Uns meses depois e, quando dá conta, Percy está literalmente a carregar o peso do mundo aos ombros quando o Titã Atlas, amaldiçoado a carregar o céu às costas para impedir que ele se abata contra a terra, força outros a substituí-lo.

O que podemos então esperar que acontece neste quarto livro? Aventura, acção e adrenalina são as palavras de ordem. Percy, Annabeth, Grover e Tyson partem numa viagem que os levará ao mítico Labirinto que um dia abrigou o Minotauro. Com o acampamento dos meio-sangues em risco de ser atacado pelo fiél exército demoníaco de Cronos, é necessário que Percy e os seus amigos encontrem uma maneira de não permitir que Luke, semideus que um dia foi amigo de Annabeth, consiga obter o fio de Ariadne, único instrumentos conhecido que permite encontrar a saída do Labirinto, uma vez que é através de uma dessas saídas que Cronos pretende atacar o acampamento e dizimar todos os descendentes divinos.

Narrado num ritmo rápido, com novos desenvolvimentos ao virar de cada página, A Batalha do Labirinto revela-se uma leitura simples, ainda que interessante no que aos detalhes históricos e mitológicos diz respeito. Rick Riordan conseguiu, sem dúvida, encontrar uma maneira bastante criativa de explorar assuntos que de outro modo poderiam ser considerados aborrecidos, especialmente para o público alvo destes livros. A mim, que sou fascinada por todas estas temáticas, permitiu-me descobrir um modo leve de rever e aprofundar conhecimentos.

Ainda assim, há pontos menos positivos a apontar à escrita do autor. Usando abundantemente uma escrita de carácter expositivo, nota-se que tal não permite uma total empatia quer com os personagens como com determinadas situações pois nos é negado um lado mais emocional e descritivo da narrativa. Inicialmente, pensei tratar-se de uma opção estilística do escritor para ter em consideração a maioria dos seus leitores infantis, cuja propensão para perder interesse é notoriamente maior do que a de um leitor mais desenvolvido. No entanto, é possível apercebermo-nos que a linguagem e o estilo de narração se mantêm imutáveis ao longo de todos os volumes da série, algo que penso que não deveria necessariamente acontecer. À medida que Percy vai ganhando maturidade, acredito que o mesmo deveria acontecer a nível da escrita. Infelizmente, tal não acontece, o que acaba por prejudicar um pouco a história, que perde em detalhes e riqueza.

No geral, Percy Jackson e A Batalha do Labirinto é uma leitura agradável e que consegue deixar o leitor curioso por ler mais, facto maioritariamente devido à magia que a mitologia empresta ao enredo, e pode considerar-se um bom ponto de partida para as leiturass dos mais novos. Para os mais velhos, não se apresenta propriamente desafiante, mas proporciona umas horas bem passadas na companhia de personagens dos quais é impossível não gostar.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Entre Páginas: Clockwork Princess, de Cassandra Clare [Opinião]

Autor: Cassandra Clare

Editor: Walker Books Ltd.

Edição: Março de 2013

Colecção: The Infernal Devices

Páginas: 576

Formato: Capa mole

Título em português: Princesa Mecânica (a 25 de Outubro nas livrarias, pela Planeta)



Sinopse: 
Tessa Gray should be happy - aren't all brides happy? Yet as she prepares for her wedding, a net of shadows begins to tighten around the Shdowhunters of the London Institute.
A new demon appears, one linked by blood and secrecy to Mortmain, the man who plans to use his army of pitiless automatons, the Infernal Devices, to destroy the Shadowhunters. Mortmain needs only one last item to complete his plan. He needs Tessa. And Jem and Will, the boys who lay equal claim to tessa's heart, will do anything to save her.


Opinião: 
Mundialmente conhecida como Cassandra Clare, e carinhosamente apelidada de Cassie, Judith Rumelt é, no entanto, o verdadeiro nome da aclamada autora de fantasia urbana juvenil. Nascida na província iraniana do Teerão em 1973, é filha de um professor e escritor e neta de um produtor de cinema.

Foi em 2004, inspirada pela sua mudança para Nova Iorque e aborrecida com o seu emprego em revistas de entretenimento e fofocas, que Cassandra começou a trabalhar naquela que viria a tornar-se a sua primeira obra publicada: City of Bones (A Cidade dos Ossos), o primeiro volume do que é actualmente uma série de seis livros, da qual o último chegará às livrarias em Maio de 2014. The Mortal Instruments (Caçadores de Sombras) depressa se tornou um sucesso de vendas por todo o mundo, o que possibilitou à escritora a oportunidade de expandir o universo fantástico que tinha criado. E assim nasceu The Infernal Devices (As Origens), trilogia prequela da série original de Clare, de cujo o livro Clockwork Princess (Princesa Mecânica) marca o final.

E se The Mortal Instruments nos dá a conhecer a azáfama de Nova Iorque, The Infernal Devices leva-nos até à elegância de uma Londres victoriana. Mas não pensem por isso que as ligações entre ambas as séries serão escassas ou mesmo nulas; não o são, de todo. Estes são, na verdade, os livros ideias para ficar a conhecer as raízes de muita do que é a cultura dos Caçadores de Sombras da actualidade.

Em Clockwork Princess, Tessa Gray, a nossa protagonista nova-iorquina, há vários meses desembarcou em Londres e, por entre voltas e reviravoltas, começou a criar para si uma nova família no seio do Instituto londrino. Está, aliás, prestes a dar um importante passo na sua vida e a subir ao altar. No entanto, a situação está longe de ser a ideal. Mortmain, o maior inimigo dos Caçadores de Sombras até à data, continua a planear a sua vingança contra toda a comunidade Nephilim e Tessa é a peça mais importante nesse jogo. Jem, o noivo de Tessa, continua extremamente doente e sem sinais de cura à vista. E, para piorar a situação, Will, o melhor amigo e parabatai de Jem, confessou estar igualmente apaixonado por ela, deixando-a numa posição complicada no que às suas relações pessoais diz respeito.

Mas isto é apenas a premissa inicial...Com o desenrolar deste que é, na minha opinião, o melhor trabalho de Cassandra até à data, somos levados numa viagem repleta essencialmente de descobertas. Ainda que seja capaz de lhe apontar algumas pequeníssimas falhas, nomeadamente no que diz respeito ao ritmo da narrativa em certos pontos da obra, foi com grande satisfação que li este livro. Com um estilo de escrita consistente e, acima de tudo, emocional, a autora explora magistralmente uma teia de sentimentos e relações que se vão formando, e aprofundando, e que dificilmente poderiam ter um melhor desfecho. E é este, indubitavelmente, o ponto forte de Clare: as dinâmicas interpessoais que tão bem cria. É por tal que, mesmo quando o enredo em si sofre algum mínimo descuido, a relação do leitor com a obra não é muito abalada. Faço notar, aliás, uma das melhores e mais fortes amizades sobre as quais já tive o prazer de ler: Will e Jem. Muitas vezes, especialmente neste género literário, muito do foco acaba por ser dado exclusivamente ao romance, deixando de lado sentimentos de outras naturezas. A fraternidade existente entre estes dois personagens é tocante e enternecedora e, por várias vezes ao longo deste livro, causadora de lágrimas.

Mas não se preocupe quem prefere que a acção tenha prevalência sobre a emoção: há demónios, e lobisomens, e engenhocas automatizadas, e as respectivas lutas com cada uma das espécies em dose suficiente para agradar até ao leitor mais céptico. Mistérios são desvendados, puzzles completados, e a adrenalina corre livremente pelas centenas de páginas deste livro. Se estás curioso por saber o que faz de Tessa uma espécie tão peculiar, ou por descobrir qual a resolução para do impasse entre os três protagonistas, ou até mesmo apenas curioso por desvendar de que maneira é que certos artefactos dos Caçadores de Sombras chegaram até aos dias de hoje, este é o livro a não perder. Todas as respostas a estas questões são dadas em Clockwork Princess, cujo o desfecho nos chega através de um prólogo tão bem conseguido que é capaz de fazer algo nem sempre visto: deixar-nos com questões não sobre a trilogia a que pertence, mas sim sobre a série que cronologicamente a procede. O que significa que provavelmente também não irão querer perder City of Heavenly Fire para o ano que vem. A meu ver, uma boa jogada estratégica por parte da escritora.

Recomendo, sem dúvida!